O que tem conteúdo, mesmo não tendo conteúdo. O que mostra que tudo pode ser fácil, e ao mesmo tempo difícil. Simples e complicado. Com e sem. Muito e pouco. Bom e ruim. Legal e chato. Interessante e irritante. Sincero e sarcástico. Relatado e inventado. E quase nada disso, ou muito disso, define esse blog. Talvez porque ele não tenha descrição mesmo. Porque pode ser tudo bobagem, mas nas entrelinhas, as coisas começam a fazer sentido. Ou não.

Tão longe de tudo?

| Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Eu não tenho muito o que escrever. Eu não quero muito escrever. 
Mas eu preciso escrever. Não, a música só veio à mente quando cheguei em casa e me dei conta de que precisava escrever. 
Hoje fiquei pensando no dia em que disse que "nunca mais me estive sozinho, mesmo estando sozinho, porque consegui compreender quão importante é a solidão e que ela é apenas uma palavra quando sei que estou com Deus em todo lugar". 
Fiquei pensando nisso. Muito. Olhei para o céu, nublado e garoando. 
Fechei os olhos. Mas não parei de caminhar. 
Eu podia ter caído, de cara no chão me sujado, mas pouco importei-me. 
Eu avisei que não queria respostas, que não queria explicações ou mesmo iria reclamar. 
Eu só pedi sabedoria. Para conseguir entender. A sensação, o sentimento de solidão. 
O vazio. 
Todos os meus pensamentos. Algumas coisas que achei serem erradas. 
Queria, e quero entender. 
Não quero respostas prontas. Não quero provas. Palavras. Gestos. Não quero nada disso. 
Só quero poder entender. O porquê desse sentimento de solidão me incomoda tanto. 
Passo o dia só. Eu comigo. Comigo mesmo. E, apenas quando estou, com os pés molhados, com a roupa molhada, tomando banho de chuva, caminhando sozinho de volta para casa é que me sinto só mesmo. 
Quero apenas entender isso. Não perguntei por quê, não cobrei nada. 
Só pedi sabedoria. 
Também sei que provavelmente não mereço essa sabedoria. 
Mas como todo inconformado, pedi algo que me ajudasse a entender. 
Para conseguir me entender. Há tempos devia ter feito isso. 
Mas achei ser capaz de responder à pergunta que, no fim, só diz respeito a mim. 
Não consegui. 
Podia agravar minha 'síndrome de perdedor', mas não é esse o caso. 
Quero entender. 
Só isso. 
Mesmo assim, obrigado pelo meu dia, e por todos que dele fizeram parte, Senhor.

O tempo, a vida e uma pergunta. E aí?

| Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
(a música é um complemento bem subjetivo do texto. Além de ser uma baita música, claro.)

Sabe aqueles momentos da vida, de todos aqueles que muito mais do que possuir vida buscam viver(embora haja contradições pessoais nisso), em que há uma pausa, uma autorreflexão(?) breve e uma simples pergunta para si mesmo. Algo simples, como um "E aí?".

São duas 'palavras', três letras, um ponto de interrogação. Um significado muito maior implícito nisso tudo. Uma pergunta que pode destruir a mente de alguém despreparado para respondê-la ou pode, no mínimo, causar mais algum, talvez muito, transtorno de reflexão para e por consigo.

Responder o "e aí?" originário de uma reflexão psicológica sobre algo, provavelmente sobre a vida, o tempo e tudo aquilo que liga e que está entre os dois, é uma das piores reflexões pelas quais um ser humano pode passar. Se a vida, o tempo, ou ambos, não te ajudarem nesse pensamento todo (que, convenhamos, serve apenas para que o tempo mostre que é o tempo e para que percebamos que a vida é a vida, literalmente), não há o que fazer a não ser sentir-se decepcionado com a merda pela qual estamos passando aqui na Terra.

Se um dos dois, ou mesmo os dois, ajudar mesmo, a coisa não vai ficar tão ruim. Por que? Sempre há uma porcaria de um triste soneto mental ecoando pelas cabeças pensantes de todos aqueles que sabem que a vida não deve ser apenas a vida, mesmo que ela, a vida, e ele, o tempo, façam com que a vida seja apenas a vida e o tempo um agravante da dificuldade da mesma se transformar em verbo. No viver, claro.

Alguém já olhou(subjetivamente falando) e perguntou para si mesmo "E aí?". Não sei. Mas aconselho quem não o fez, ou quem já fez e conseguiu passar por isso sem muita dificuldade, a não fazer. Porque facilidade com essa pergunta é única. Se existir. E achar que a vida e o tempo são mais do que, invariavelmente, são, é a mesma coisa que achar que a vida vai te trazer alguma cosia se você for correto, que o tempo vai te trazer aquela pessoa pela qual tu dedicas sentimento mas não recebe nada em troca e que buscar alguma coisa vai ajudar nisso se um dos dois, a vida ou o tempo, não colaborarem.

Complexo?

Não. Simplesmente simples. Com o perdão da redundância.

Maldita vida, maldito tempo, maldito seja eu, que nunca consegui nada, esperando da vida ou do tempo, ou mesmo buscando. Não.

Maldito seja aquela porcaria de pergunta que fiz a mim mesm: E aí?

(Faltou um: "Maldito livre-arbítrio", para que eu pudesse rir)

Histórias do Billi J. - Um encontro, uma lembrança, nada

| Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Engenheiros do Hawaii - Ouça o que eu digo, não ouça ninguém

(não, o texto não foi feito baseado na música, mas é legal ouvir ela enquanto lê-se o texto)

Estava o Billi J. a voltar da casa de uma amiga. Ele caminhava calmamente, como sempre fizera. Limpou os óculos, olhou o celular para ver se alguma coisa havia acontecido por lá, pensou na sua amiga, lembrou do tempo em que eram colegas e eles pouco se falavam, enfim, coisas e mais coisas fazia o Billi J. enquanto voltava para casa.

Parou numa esquina, esperando a oportunidade de atravessar a rua para seguir seu caminho até que sentiu uma dor no calcanhar. Caramba, alguma coisa o havia mordido. Mas tudo bem, não fez escândalo, não falou nenhum palavrão, sequer se virou. Apenas continuou parado, com os punhos cerrados, em claro sinal de dor. Foi quando ouviu um:

- Não Bilu, não faz isso não. Esse homem não te fez nada.

Aquela voz lhe era familiar. Se fosse algum de seus antigos colegas, a maioria dos quais detestava, não deveria virar-se. Mas se fosse alguém que lhe trouxesse boas lembranças? E se fosse a... a sua antiga paixão/amor/delírio/sonho Renata... não, ela o avisaria se viesse ao Brasil... a menos que... bom, ela odiava cachorros.

Descartada a 'melhor pessoa do mundo' para o Billi J., resolveu ser curioso uma vez na vida e virou-se. Para o seu espanto, a doce voz que dizia para o cachorro não mordê-lo mais vinha de uma ex-colega. 'Caramba, eu não devia ter voltado-me para ela mesmo...".

- Ei, eu te conheço... você é o bobão do Billi J. né?!
- Sim, Gabriela.

Sim, Gabriela. Uma das mais belas vozes que ele já ouvira, dois dos mais belos olhos que já cruzaram olhar com os seus olhos e a maior petulância arrogante que ele já teve por perto. Gabriela. Defendia todas as suas colegas com muito vigor, sem saber o que elas faziam contra o Billi J..

- E aí bobão, continua sendo o mesmo otário de sempre? O mesmo tongo adorador de tubos de ensaio, tabelas periódicas e raízes de plantas? A mesma nulidade em qualquer tipo de esporte? Hahahah, como você era engraçado por ser tão bobão...
- Sim sim, continuo o mesmo otário de sempre. Me formei em Engenharia Química, fiz mestrado e tudo. Continuo sendo o bobão de sempre. E vejo que tu continuas linda, e claro, arrogante.
- Eu só sou arrogante porque você sempre falava mal e era grosso com as minhas amigas.
- Elas ainda são tuas amigas?
- Não, nunca mais conversei com ela.
- Claro, depois que colocaram-te contra mim, inventando coisas que jamais fiz ou disse contra/para elas, elas não acharam mais utilidade em tê-la por perto.
- Bobão. Sempre vendo teorias conspiratórias.
- E não é verdade?
- E faz diferença?
- Claro que não. Só ficaste achando que eu sou alguém que não sou, aliás, não era.
- E você não era um bobão mal educado?
- Eu malemal falei contigo nos 4 anos em que fomos colegas. Por que me acusas de ser mal educado, se não me lembro sequer de uma conversa racional entre nós?
- ...
- Além do mais, não faz diferença agora não é? Então, por que não me provas que eu era mal educado? Porque não há o que dizer. Eu era tido como mal educado porque não respondia provocações com respostinhas bestas e manjadas como os outros idiotas que eram nosso colegas faziam. Eu nunca aguentei aquelas piadias bestas, as seguidas tentativas de me humilhar em público, o menosprezo que vocês tinham para comigo. Eu não me esqueço de toda raiva que acumulei contra vocês. Mas sabe do que mais? Tenho pena de ti. Porque foste marionete de mentes que só não são malignas porque não sabem o que significa a palavra maligno.
- Não sei o que te dizer.
- Claro que não sabe. Nunca disseste-me nada que partisse da tua própria cabeça. Te transformaram em alguém arrogante aproveitando da tua coragem. Te transformaram em uma guria mesquinha pela tua sinceridade e pelo teu 'espírito de justiça'. Justiça? Tu não sabias o que era justo, e elas te faziam crer que elas eram as justas. Olha, quem ouve isso vai achar que eu relato aqui uma novela feita pro povão, onde um grita "aquela malvada..." e o outro "e aquela outra lá, é pior ainda". Pensem o que quiserem bando de gente metida que sempre quer saber da vida dos outros e não cuida da sua. Cansei daquelas piadinhas e me irritei. Chega, não quero mais falar sobre isso. Tchau.
- Mas Billi...
- Nem um mas. Ah, meu dia estava bom até esse cachorro me morder. Maldito cachorro!

Virou-se para Gabriela e saiu. Os que estavam por perto fingiram não ter prestado em nenhuma palavra dita, com raiva ou arrependimento.

O Billi J. conseguiu livrar-se de mais um trauma, aliviou sua antiga raiva, esclareceu o que acontecia nos tempos de escola e ainda por cima conseguiu me dar um motivo para escrever.

Grande Billi J.!

Frases e mais frases. Palavras e mais palavras. Sentido? Nem implícito...

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Olhando alguns textos através dos marcadores(na coluna ao lado, bem embaixo), percebi que ultimamente eu gostei muito de escrever apenas frases. No caso, textos são feitos de frases. Então especifico dizendo que ultimamente tenho gostado de escrever frases soltas. Interligadas por algo bem mental. Ou não, óbvio. A questão toda entre escrever frases ligadas apenas mentalmente ou escrever frases interligadas literal e coerentemente, não fica bem esclarecida, mesmo que eu tentasse ser muito mais racional, esclarecido, e tentasse não escrever como eu ultimamente tenho escrito.

Acho que é muito mente adverbial ou substantivado(que a minha ex-professora de português não leve em conta isso na hora de me 'criticar' via e-mail) para pouca mente literal e... tá, eu sei que não vou explicar muita coisa, então vou escrever e pronto.

O tudo nunca é tudo e o nada nunca é nada. 

Assim como o sempre nunca será sempre.

E o nunca, nunca será nunca.

Confuso?

Não, simples.

Como dizer que laranjas apodrecem.

E bergamotas têm sementes.

Ou não.

Tudo é relativo.

Mas se o tudo nunca é tudo.

O tudo pode ser nada.

Então nem tudo é relativo.

E nem nada é relativo.

Confuso? Ainda não.

Eu sei que seria mais fácil dizer:
"Para toda regra há uma exceção".

Mas teria também que dizer que essa mesma, estúpida, regra, também possui uma exceção.

Com cedilha e não dois esses.

Bem explicado.

Simples então?

Nem tanto.

Porque a vida pode ser cheia de regras.

De tudo's.

E de nada's, claro.

Mas é óbvio, que sempre...

...digo...

...quase sempre, haverá uma exceção.

Um asterisco.

Ou mesmo uma contradição.

Até porque, provar que uma coisa não é sempre, nem nunca, uma outra coisa, é mais fácil que provar que textos assim, com frases desconexas, são textos inúteis.

Para todos.

Mas  se o tudo nunca é tudo, todos nunca serão todos.

Talvez alguém entenda o que eu quis dizer.

Se é que todas essas palavras, ou frases, possam dizer algo.

Mesmo que sempre, ou nunca, ou melhor, quase para os dois, haja alguma lição a ser tirada de uma situação*.

O que prova que a vida não deve ser feita de regras.

Porque a vida, ou melhor, a mente daqueles que julgam-se possuidores de uma, não pode ter uma lista a mais de coisas.

Já chega o português, a matemática e a física com listas, fórmulas e regras.

E asteriscos de exceções.

A vida precisa ser apenas a vida, isso quando o ser que a possui, ou diz possuí-la, sabe que a vida em si não é vida, mas que a vida só é vida quando existe o viver.

Eu já escrevi sobre vida e viver em algum lugar. Acho que não foi aqui.

Bom.

Sem regras? Também não.

Mas é melhor deixá-las para textos como esse.

Ou não.

Porque...

Histórias do Bandiolo - os incomodados que se virem

| Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Ela ficou sentada à beira do rio o dia inteiro. O que antes era sombra agora passou a ser a sua sombra. Mas ela não quis sair dali.

Que imagem mais bela. Perfeição da natureza. O pôr-do-sol mais bonito que já vira.

Mas os raios de sol refletidos na água do rio a incomodavam. Estava vendo pouca coisa, mas não queria perder a mais bela prova da existência de Deus que já havia sido-lhe oportunizada.

Aquilo só podia ser coisa de Deus. Para ela. Mas o reflexo na água a incomodava. Via pouco, mas era o suficiente. Ficaria ali por muito tempo, se conseguisse ver alguma coisa. Não adiantava ir para trás, porque se o fizesse, não teria o reflexo no olho, mas também não veria o pôr-do-sol.

Aquele reflexo todo a incomodava, mas ela não quis sair dali. Insistiu. E aproveitou toda aquela beleza que Deus lhe deu. Naquele momento, mesmo sem ver muita coisa, sentiu-se privilegiada.

Muitos veriam o mesmo pôr-do-sol, mas nenhum deles veria AQUELE pôr-do-sol.

Lindo.

Fantástico.

E ela, teimosa do jeito que era, dali não sairía.

E não saiu.

Se alguém perguntar "Valeu à pena?", eu direi apenas uma coisa:

Pergunte àquela menina...

Histórias do Bandiolo - Pessoas vulneráveis...

| Terça-feira, 30 de Junho de 2009
- Ei, vai quando pra Porto Alegre?

- Sexta-feira que vem, por quê?

- Para saber.

- Quer que eu leve alguma coisa pra tua irmã?

- Sim.

- O quê?

- Eu mesmo.

- Mas vai de ônibus...

- Não tenho dinheiro.

- Mas eu vou te cobrar do mesmo jeito.

- Sim, eu te pago um pastel.

- Acha que eu vou andar 300 km, te aguentando, só por um pastel?

- Tá bom, um pastel e uma cerveja.

- Mas eu não posso beber.

- Depois, quando chegarmos lá.

- Tá bom, aceito.

- Feitoooo!

Frase do dia(ou, dá série:"frases saídas do twitter para o blog do maluco"):

| Domingo, 28 de Junho de 2009
O legal é que, 
quanto mais eu digo coisas deprimentes,
mais me sinto deprimido. 
Lei da atração? 
Não. 
Burrice mesmo.

Frase do dia:

| Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
"Houvesse dois como tu, 
e logo, 
logo não teríamos nenhum, 
pois um teria matado o outro.(...)"

- Mercúrio
em "Romeu e Julieta"




*Tenho que dizer que isso me parece familiar...

O melhor

O melhor